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A surpreendente verdade que nunca contaram a você sobre a escolha da residência médica

Você já reparou que a partir do dia que você passou no vestibular em medicina, a pergunta que você mais ouviu com relação a sua profissão foi “você vai fazer qual residência médica?”

São tantas pessoas perguntando isso, que chegamos a ficar irritados.

Principalmente quando ainda não temos claro qual será a residência médica que faremos, isso se decidirmos fazer uma.

Mas por qual motivo essa pergunta é tão relevante e assombra a cabeça de todo médico e estudante de medicina?

Porque na verdade, medicina não será sua profissão, mas sim a sua especialidade.

Pense no objeto de trabalho de um cirurgião de cabeça e pescoço, de um radiologista e de um psiquiatra. Você concorda comigo que são 3 profissões completamente diferentes?

Isso sem pensar nos outros campos da medicina que extrapolam a questão assistencial.

E, para os estudantes de medicina, escolher a especialidade médica, necessariamente está relacionado à decisão de se fazer ou não uma residência médica.

Nesse artigo, no entanto, eu não falarei sobre como escolher a especialidade médica, mas sim, sobre tudo que você precisa saber antes de decidir se deve fazer uma residência médica. Vamos lá?

residencia medica

Assistência, gestão ou academia?

O primeiro passo para tomar a decisão de fazer ou não a residência médica é pensar nos 4 grandes caminhos da medicina:

  • Atuar como médico atendendo pacientes a maior parte do tempo dentro de um hospital;
  • Atuar como médico atendendo pacientes a maior parte do tempo em consultório;
  • Atuar como médico dedicando a maior parte do tempo envolvido com pesquisa e docência;
  • Atuar como médico dedicando a maior parte do tempo em questões administrativas e gerenciais.

“Mas eu preciso escolher apenas um caminho?”

Claro que não, a medicina permite que você faça os 4, e ao mesmo tempo inclusive.

Todavia, não é possível fazer os 4 com maestria ao mesmo tempo.

Sempre haverá um que terá o maior destaque em sua vida profissional.

E o destaque que você quiser dar, será o primeiro passo para responder se a residência médica é obrigatória para você ou não.

Medicina assistencial: ambulatorial e hospitalar

A grande maioria de nós médicos, ao se formar, foca nas duas primeiras opções, que é atender pacientes a maior, senão, toda parte do nosso tempo.

E se a primeira delas (medicina hospitalar) for a sua opção, a residência médica sim, torna-se quase que obrigatória.

Digo quase, pois dentro dessa escolha existem outras possíveis ramificações que irei falar mais adiante.

Agora, se sua opção for qualquer uma das outras três, a residência médica não se torna mais obrigatória.

Ela continua sendo desejável, mas não obrigatória.

Pois a residência médica é um treinamento em serviço, com pequenas exceções, eminentemente hospitalar.

E ao terminar, você estará treinado para ser um especialista na sua área, atuando dentro de um hospital.

A não ser é claro, que você escolha uma das raras residências cujo foco não seja o hospital.

Na segunda opção, cujo foco é atender, mas no ambiente de consultório. A residência médica ainda é importante.

Entretanto, ela não é tão fundamental quanto na primeira opção.

Pense em um cirurgião plástico e um dermatologista.

É muito difícil pensar em um médico competente dessa especialidade (cirurgia plástica) que não tenha feito uma residência.

Já um dermatologista, pode ser extremamente competente, mesmo que não tenha feito uma residência, mas sim uma formação específica (com prática ambulatorial) e obtido o título de especialista.

Pois, o cotidiano dele será completamente diferente do cirurgião.

Não estou querendo desmerecer a residência médica. Em absoluto.

Até porque, é na residência o local onde temos a maior possibilidade de encontrar excelentes mentores, e de ter uma carga-horária bastante elevada com um foco bem específico.

Minha ressalva fica apenas para que se a residência for a escolha, três coisas devem ser levadas em consideração:

  1. A escolha do serviço onde você fará a residência é de extrema importância, muito mais do que o local onde você se formou. Portanto escolha um serviço de excelência. Fazer uma residência só porque você passou na prova não é uma boa opção.(não mantenha o mindset de quando você era um vestibulando, e passar em qualquer faculdade de medicina estava valendo).
  2. Se o seu foco for hospitalar, escolha um serviço eminentemente hospitalar; mas se o seu foco for consultório, descubra a carga-horária dedicada ao treinamento ambulatorial.
  3. A cidade onde você fará a residência também é importante, e você deve considerar fazer em um lugar onde desejar atuar também. Pois seu networking após formado já estará no mínimo uns 3 passos à frente.

Muito bem! Mas isso não é tudo. Mesmo que a fazer a residência médica já seja algo consolidado em sua cabeça, tem outros pontos fundamentais que você precisa saber antes de iniciar.

Academia médica

Para falar desse tópico, vou aproveitar, e contar um pequeno trecho da minha trajetória profissional.

Pois ela tem tudo a ver com essa temática, já que a docência foi a minha opção principal após me formar. E, por ser bastante atípica, pode lhe ajudar a ampliar as possibilidades de opções após se formar.

Ser professor sempre esteve muito pulsante em mim.

E de todas as dúvidas que eu já tive com relação a medicina, a única que eu nunca questionei, foi o fato da docência ser a forma que mais me dá satisfação de exercer.

(E, hoje, casar o empreendedorismo associado a docência foi a resposta para todos meus anseios. Só que eu demorei 11 anos para descobrir a minha fórmula do sucesso. E, apesar de muito aprendizado, foi um custo bastante alto na minha vida. Um dos objetivos desse blog é ajudar você a encurtar esse caminho).

Diante dessa escolha, minha primeira pós-graduação foi um mestrado.

Eu não havia descartado fazer a residência da minha especialidade (MFC) até então.

Apenas tinha prorrogado fazer a residência após o mestrado.

Pois, primeiro, eu precisava ganhar dinheiro (mais que uma bolsa de residência). E, segundo, eu estava seguindo o único conselho profissional que tive após me formar:

“Heitor, como você se imagina daqui a 5 anos?”

E eu respondi: “Eu me imagino atuando em uma Unidade Básica de Saúde, recebendo alunos do internato”.

Diante dessa resposta eu ouvi: “Então faça o mestrado antes da residência, pois para a academia, os títulos acadêmicos são mais importantes que os títulos de assistência.”

A resposta que eu ouvi foi precisa.

Mas o problema não estava na resposta que ouvi. Mas sim na resposta que eu dei para primeira pergunta.

Eu achava que queria aquilo, pois eu não me conhecia a fundo, a ponto de saber como ter coerência na escolha profissional após formado com a minha personalidade e minha expectativa com a vida de uma forma ampliada (sem falar na visão extremamente limitada de como me imaginava em um futuro próximo, considerando estritamente a questão do cotidiano profissional).

Além de escolher essa especialidade, a partir de um único estágio, dentro da faculdade.

O estágio de saúde pública do internato (com ênfase em Atenção Primária), que foi todo dentro de uma mesma unidade de saúde, durante o semestre inteiro.

Esse estágio fez eu me sentir como médico pela primeira vez no curso. Além de ter a sensação gostosa de poder atender as mesmas pessoas por muito tempo, e acompanhar seus cuidados.

E assim, cometi um dos 4 maiores erros ao escolher a especialidade médica. A escolhi a partir da visão de um único estágio, e da identificação com professores e preceptores.

Na verdade, não diria que errei na escolha da minha especialidade médica. Mas sim, nos critérios de escolha, e no planejamento da minha carreira.

Continuando. Como me formei na metade do ano, e um mestrado em Saúde da Família estava prestes a iniciar. Minha ideia seria terminar o mestrado em um ano e meio, e fazer a residência médica a seguir.

Então, eu prestei prova do mestrado, e fui selecionado para o programa, com 25 anos.

E exatamente um ano após me formar, com 26 anos, eu fui convidado a ser docente da graduação em medicina.

Mais especificamente, do internato médico de Medicina Familiar e Comunitária (era o nome da disciplina) do quinto ano da medicina da UNIVALI (Itajaí-SC).

Além disso, eu era o médico de uma unidade básica, e recebia 4 alunos a cada 7 semanas.

Ou seja, em apenas um ano, eu havia conquistado o meu objetivo de cinco anos.

E a residência médica não fazia mais sentido, pois eu havia conquistado o meu objetivo do início de carreira, com um “meio” mestrado.

Não fazia sentido naquela época trocar uma remuneração de médico de PSF, um concurso na prefeitura, e uma remuneração na universidade. Para fazer 2 anos de residência, e tentar voltar para o lugar que eu já ocupava.

Bom, com 33 anos, eu já havia terminado o mestrado, já tinha o título de especialista em Medicina de Família e Comunidade, estava no meio do doutorado, e fui fazer uma formação em coaching (fora um monte de outras coisas que fiz, que não cabem mencionar nesse artigo).

E foi justamente essa formação de coaching que me abriu a cabeça para questões nunca questionadas por mim de forma tão sistematizada.

Eu comecei a estudar sobre as disciplinas que davam sustentação ao coaching, e mergulhei em um processo profundo de auto-conhecimento.

Além de começar a enxergar a medicina com olhos totalmente diferentes.

Foi quando abandonei o doutorado no meio, após já ter cumprido todos os créditos…

Porque descobri que a docência era algo que me atraia muito, mas a academia não traria resposta para outros anseios que tem a ver com valores de vida.

Em suma, o que eu quero dizer é que, se sua escolha também for a academia, você também não deve fazer a residência?

Não! A residência médica é um treinamento em serviço, e é muito importante na vida de qualquer médico.

Apenas estou dizendo que ela desejável, mas não é obrigatória.

O que é importante é você ter experiência profissional na área que deseja atuar, somada a estudos constantes. E de preferência com um ou dois mentores ao seu lado.

Eu tive a “sorte” de encontrar o meu mentor profissional no mestrado, o prof. Luiz Cutolo (que acabou ser tornado o meu melhor amigo depois).

Agora, se a docência/pesquisa for algo muito claro na sua cabeça, uma formação acadêmica de mestrado/doutorado/pós-doutorado é mais importante que a residência médica.

Se você quiser entrar em uma instituição de ensino superior, o título mais desejado exigido será mestrado/doutorado.

Gestão & Medicina

Você sabia que hoje existem cursos de graduação específicos para gestão em saúde?

A gestão em saúde está mais para um ramo da administração, que para um ramo da medicina ou outros área da saúde.

Porém, a complexidade da gestão na saúde é bastante peculiar, pois o conhecimento em saúde é complexo por si só.

Escolher atuar na gestão em saúde, geralmente não é feita logo depois de formar, e ela vem naturalmente depois de se escolher uma das 3 opções acima.

Pois, por exemplo, você pode ser tornar um diretor de hospital, o dono de uma clínica médica ou um coordenador de curso.

Para qualquer uma dessas opções, você necessariamente deve ter percorrido um caminho profissional de atuação anterior na área que você queira atuar.

E, depois disso, decidir por outras formações necessárias para essa atuação, sejam elas formais como um MBA ou informais.

De qualquer forma, uma coisa é certa. A residência médica não é a formação de excelência para atuação na gestão.

residência médica

Então a residência é ou não o seu caminho?

Agora você se vira para mim e diz:

“Heitor, eu tenho certeza que eu quero para minha vida é assistência, e se atuar na docência ou na gestão serão coisas secundárias. Então, a residência é obrigatória para mim?”

Antes de responder essa pergunta, tem um outro passo importante antes de tomar sua decisão.

Tem a ver com um conceito chamado de “posicionamento profissional”.

Posicionamento profissional

Um bom posicionamento profissional não surge do dia para noite.

Agora ele só irá surgir, quando o profissional tem clareza de como ele irá se posicionar no mercado e desenhar sua carreira nessa direção.

Diferente do que a maioria dos médicos fazem, que é apenas escolher uma especialidade médica que mais agrade, e prestar prova de residência até passar nessa especialidade.

Por que esse conceito é importante?

Pois como em qualquer outra área profissional, a primeira coisa que precisamos aprender é a nos posicionarmos no mercado.

Esse termo vem do mundo empresarial. E, se quisermos ter uma colocação profissional e uma carreira de sucesso, é bom se acostumar a pensar com esse mindset.

Nós médicos, temos um certo pré-conceito em ligar nossa profissão a algo do mercado. Contudo, qualquer profissão precisa de um mercado.

E nós médicos, aprendemos muito pouco (para não dizer nada) sobre isso durante nossas graduações.

Pois bem, um dos objetivos desse blog é exatamente te contar coisas que você não aprendeu na faculdade. Além de te dar ferramentas para sair na frente de pessoas que iniciam suas carreiras sem essas competências.

Então vamos ao que interessa.

Antes de continuarmos a falar sobre posicionamento, eu gostaria de trazer quatro conceitos fundamentais para entendermos esse assunto.

1) Segmento de mercado

Segmento de mercado representa um grupo de consumidores com interesses e dores semelhantes.

Traduzindo para medicina com um exemplo:

Um(a) obstetra tem como segmento de mercado, mulheres em idade fértil que estão grávidas e precisam de ajuda para se manterem saudáveis durante a gestação e parirem seus filhos.

Até aqui tranquilo. Pois, mesmo que você nunca tenha pensado nas especialidades médicas sob esse ponto de vista.

Ou seja, pensar na especialidade médica como uma definição de segmento de mercado de atuação.

Essa é a primeira definição que fazemos. Mesmo que de forma inconsciente.

Agora, a grande sacada é pensar no nicho de mercado.

2) Nicho de mercado

Um nicho de mercado é uma parcela pouco ou nada atendida de um grande grupo consumidor, uma oportunidade oculta dentro de um ramo de negócios amplo e competitivo.

Que nada mais é que uma especificidade inteligente do segmento do mercado.

Inteligente, pois, quanto melhor definido o seu nicho, maiores as chances de você se posicionar em um patamar mais alto da pirâmide da autoridade (explicarei sobre isso mais adiante).

Seguindo o exemplo do(a) obstetra acima.

Um nicho de mercado é ser um(a) obstetra que tenha uma taxa de partos vaginais acima de 80/90%, e que não realize intervenções desnecessárias na hora do parto, além de trabalhar com uma equipe alinhada com esse propósito e atender em lugares que propiciem essa prática.

Com esse nicho, esse(a) obstetra irá atrair um público, ou nicho de pessoas, que além de estarem grávidas, estejam buscando um parto alinhado com essas premissas.

Outro tipo de nicho, seria trabalhar com um grupo de doenças específicas. Por exemplo, um(a) endocrinologista pediátrico(a) que atenda apenas casos de diabetes tipo 1.

O grande segredo, na definição do seu nicho de mercado, é saber equilibrar uma especificidade que realmente resolva a dor das pessoas, mas que não seja tão específico que não tenha um número suficiente de pessoas para se trabalhar.

No exemplo acima, necessariamente esse pediatra precisaria trabalhar em um grande centro, e jamais teria público apenas em uma cidade de pequeno ou médio porte.

Agora, eu sei que é muito difícil escolher o seu nicho no início da carreira.

Pois você só começa a entender bem as pessoas que tenham problemas que sua especialidade resolva, depois de alguma atuação profissional.

Porém saiba, que quanto antes você conseguir definir o seu nicho, mais rápido você conseguirá subir na pirâmide da autoridade.

3) Avatar ou Persona

Persona é a representação fictícia do cliente ideal de um negócio. Ela é baseada em dados reais sobre comportamento e características demográficas dos clientes, assim como suas histórias pessoais, motivações, objetivos, desafios e preocupações.

Mesmo que sua intenção não seja empreendedora dentro da medicina. Esse conceito emprestado do marketing ajuda demais na nossa definição de posicionamento.

Pois o que realmente interessa na medicina, é focar nas pessoas que queremos ajudar. Ou seja, oferecer os nossos serviços médicos com qualidade e sermos reconhecidos pela excelência que fazemos isso.

Quanto melhor você conhecer sua persona, mais fácil será o seu posicionamento, e mais fácil será entender suas dores e se comunicar com ela.

Voltando ao mesmo exemplo do obstetra, um possível avatar seria:

Ana Paula, 30 anos, grávida do seu primeiro filho, de uma gravidez planejada, extremamente preocupada com sua qualidade de vida, etc..

Ou seja, um exemplo de uma pessoa que represente a maioria das pessoas que sejam do seu nicho.

4) Especialista

Especialista é quem tem um foco específico em um nicho de mercado que permita alcançar um avatar bem desenvolvido.

Queria que você percebesse que eu estou tentando quebrar um paradigma aqui.

A de encarar a especialidade médica não como um parte da medicina que foca em um aparelho ou sistema, ou uma parte do corpo, ou em uma faixa etária, ou em um sexo.

Mas a de encarar a especialidade como especificidade de posicionamento profissional para o direcionamento correto da carreira médica, e por consequência, a satisfação profissional.

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Pirâmide da autoridade e seu posicionamento

Pirâmide da autoridade, nada mais é que definir um nicho específico de atuação, e se especializar nele, e ser tornar cada vez mais a referência absoluta nesse nicho.

Generalista: qualquer médico assim que se forma se torna um médico generalista. Por incrível que pareça, na medicina, existem algumas residências médicas como clínica médica e pediatria, em que o médico continua sendo um generalista (ou melhor, um especialista geral).

Especialista: na medicina existe uma questão bastante peculiar com relação ao ser especialista. Pois não basta fazer uma especialização. Para essa especialização ser reconhecida, ela precisa ser uma residência médica, ou é necessário obter um título de especialista. A obtenção desse título precisa seguir um conjunto de regras definidos pelas sociedades de cada especialidade. Geralmente entre outros requisitos, a comprovação de experiência na área pretendida pelo dobro de tempo da residência médica. Outra questão importante, é que existem outras duas vertentes de especialização, como já mencionei no começo do artigo. Para carreira acadêmica temos o mestrado, doutorado, etc.. E para a carreira de gestão temos os MBAs, e outras pós-graduações específicas.

Autoridade: depois de se tornar um especialista, o próximo passo é se tornar autoridade na sua área. Só que aqui já podemos ter alguns diferenciais. Exemplo. Se alguém pergunta, “quem é o melhor endocrinologista da cidade” e dizem o seu nome, você conquistou um grau de autoridade. Agora, se você se posicionar em um nicho específico, como o cuidado com pessoas com diabetes. E a pergunta for, “quem é o melhor endocrinologista especialista em diabetes da cidade?” E a resposta seja você também, temos um grau de autoridade. A diferença entre os dois é apenas o posicionamento.

Guru: pense rápido. Quem foi o maior cirurgião plástico do Brasil, e talvez do mundo? Pensou no Ivo Pitanguy, certo? Ele realmente é considerado como tal. Certamente está no topo entre os melhores, mas talvez não seja o melhor mesmo. Até porque, não é possível medir isso com critérios objetivos. O mais importante é que, independente de ser o melhor ou não, ele foi considerado o melhor. Ele atingiu esse patamar de guru, que é uma posição de percepção das pessoas. E, sim, ele teve uma formação robusta, no exterior, etc. Mas não foi só isso que o levou a esse grau.

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Seja uma autoridade

Você pode, mas não precisa ser um guru. Até porque, essa posição é para pouquíssimos. E o grau de sacrifício também não é para qualquer um.

Agora, você precisa mirar sua carreira para se tornar uma autoridade.

Explico o motivo. Quanto maior for a sua autoridade no seu nicho de atuação, maior será sua valorização profissional, maior será sua remuneração, maior será o reconhecimento dos seus pares, maior será a sua sensação de contribuição com a sociedade.

E a grande sacada está na definição do nicho. Se você conseguir definir o seu nicho de atuação com inteligência, mais fácil será se tornar uma autoridade, e mais fácil será alcançar todos os benefícios que citei acima.

Portanto, subir nessa pirâmide não está baseado apenas em se ter uma residência médica, ou um grande número de pós-graduações.

Subir na pirâmide está relacionado à definição inteligente do seu nicho de atuação, e entender o que é necessário para se posicionar com autoridade. O que significa trabalhar também no desenvolvimento de uma série de competências que extrapolam o conjunto específico de conhecimento técnico da medicina.

Voltando mais uma vez ao exemplo da obstetrícia.

O médico pode ser uma autoridade em parto humanizado, mesmo tendo como pós-graduação apenas dois anos de ginecologia e obstetrícia. Por outro lado, tem um networking de qualidade, entende bastante sobre marketing médico, além de claro, prestar um serviço de excelência e com paixão.

E a grande dificuldade é essa: conseguir casar um bom nicho de mercado com suas habilidades e paixões. Por isso, definir o nicho é uma parte importante, porém, posterior ao seu autoconhecimento.

Generalista antes de especialista

Muito bem. Eu lhe mostrei tudo isso, para dizer que antes de escolher a se deve ou não fazer uma residência médica, além de se autoconhecer, você precisa ter noção da sua área de atuação e do seu posicionamento.

Agora, independente de como você faça sua especialização. Existe um passo anterior, fundamental, e percebo que a maioria dos médicos não pensam e não estão preocupados.

Antes de ser um especialista, você precisa ser um excelente generalista!

Não adianta só definir muito bem onde se quer chegar. É possível encurtar, mas não queimar etapas da construção de uma carreira médica de sucesso.

Assim como antes de se tornar um chef de cozinha, é preciso primeiro ser um excelente cozinheiro. Antes de entender da parte, você precisa entender do todo.

Eu sei que muitas faculdades de medicina tentam direcionar os seus currículos para formações mais generalistas.

E depois de dar aula por 13 anos em 4 graduações de medicina, uma pública, uma filantrópica, e duas privadas.  Eu posso dizer que mesmo com um bom currículo, a grande maioria dos professores são especialistas focais, e não proporcionam uma formação generalista.

“Heitor, então você está dizendo que não devo fazer a minha residência médica logo depois de formar?” Sim e não.

Sim, pois eu acredito que trabalhar como médico generalista, não importa onde, proporciona um aprendizado incrível, e com um volume e intensidade completamente incomparável a qualquer estágio da faculdade.

E, não, pois apesar disso, eu entendo também que não emendar uma residência logo após a graduação pode ter um custo emocional e uma sensação de perda de tempo importante.

Por isso, cada um precisa decidir de acordo com sua realidade de vida.

Porém, eu insisto que qualquer que seja a opção, tornar-se um excelente generalista é pré-requisito fundamental para ascender na pirâmide da autoridade.

Conclusão

Nesse artigo eu mostrei para você duas grandes definições essenciais na hora de decidir sobre fazer ou não uma residência médica.

  • A definição do ramo de atuação (assistência, docência ou gestão), e o quanto a residência médica irá te ajudar no caminho escolhido;
  • O posicionamento no mercado, e o quanto a residência médica pode ou não te ajudar a subir na pirâmide da autoridade.

Além de enfatizar que independente da especialização e forma que você escolha fazer, você precisa ser um excelente generalista antes.

Agora, com essas definições claras em sua cabeça, você concorda comigo que fica muito mais fácil de pensar se a residência médica é mesmo para você?

Quando pensamos na carreira médica como um todo, ainda temos muito mais coisas para explorar.

No entanto, ao pensar especificamente na residência médica, eu espero que esse artigo tenha no mínimo feito você refletir sobre questões importantes e tenham ajudado a tomar uma decisão mais segura.

Para terminar, gostaria em primeiro lugar pela sua paciência em ler esse artigo longo até o final. E te fazer um pedido.

De compartilhar esse artigo com alguém que você conheça e que esteja passando por esse momento importante na carreira médica.

Grande abraço, e até o próximo artigo!

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Meu nome é Heitor Tognoli, sou médico, empreendedor, educador e mentor. Ajudo médicos e estudantes de medicina alavancarem suas carreiras por meio da mentalidade empreendedora com o direcionamento de escolhas mais centradas e coerentes.

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