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Os 7 maiores erros na hora de decidir qual especialidade médica escolher

Introdução

Quais são os critérios que você está usando para decidir qual especialidade escolher depois de se formar?

Uma das maiores dores de qualquer estudante de medicina no final do curso (algumas vezes, durante todo o curso) consiste em decidir qual especialidade médica escolher.

Quando buscamos respostas sobre esse assunto, ouvimos conselhos e dicas das pessoas, que geralmente partem da experiência de vida deles, e de acordo com o que é importante para eles.

Parto de um pressuposto que a escolha da especialidade é igual à escolha de uma profissão, e ela deve ser a interseção entre paixão, habilidades e mercado de trabalho.

Nesse artigo eu não vou falar sobre essa interseção, pois falo desse assunto em outros conteúdos.

Vou falar sobre quais são os 7 maiores erros que podemos cometer nessa escolha.

Parto do princípio que a escolha deve ser de dentro para fora. Do auto-conhecimento profundo, enquanto pessoa.

E, somente depois disso, começar a olhar os fatores externos.

Justamente por não respeitar esse equilíbrio do interno e do externo, e olhar para a profissão apenas de forma superficial.

Importante salientar, que usar um ou mais desses critérios como complemento para escolha da especialidade não está errado.

Todavia, usar um ou mais desses pontos como únicos critérios de escolha é que se torna um grande problema.

Para apresentar os 7 erros, como escolha didática, eu irei os agrupar em 3 categorias: objeto de trabalho, pessoa de referência, ganhos secundários da profissão.

Categoria 1: Objeto de Trabalho

Sempre que escrevo um artigo, eu busco algumas referências para contribuir com o conteúdo que estou elaborando.

Gosto muito de pesquisar com termos em inglês para ampliar ainda mais essa visão.

Ao buscar sobre termos relacionados a escolha da especialidade médica em inglês, surgiram alguns testes para se descobrir qual especialidade escolher.

De curiosidade eu preenchi os dois testes, nesse primeiro, o teste acertou a minha especialidade, Medicina de Família.

Nesse outro, a especialidade sugerida foi a cirurgia.

Bom, em primeiro lugar, acreditar que um teste na internet pode realmente dizer qual especialidade seguir, seria no mínimo pueril.

Acredito que eles existam mais por uma curiosidade ou brincadeira, que de verdade cumprirem a promessa de oferecer uma resposta.

No entanto, ao analisar esses testes, eu observei alguns pontos que vieram a contribuir com a minha tese dos 7 erros na escolha da especialidade médica.

E, ambos, focaram bastante nessa primeira categoria, que é o objeto de trabalho.

Algumas perguntas até estavam relacionadas com a personalidade, porém de uma forma muito superficial.

Vamos então aos dois primeiros erros:

Erro 1: Tipo de Paciente

Umas das primeira coisas que a maioria dos estudantes pensa na hora de escolher a especialidade médica, é o tipo de paciente que gostaria de trabalhar.

Por exemplo, adoro trabalhar com crianças, ou odeio crianças.

Então se você é apaixonado por crianças, deveria fazer pediatria?

Na época da faculdade, quando eu vivia essa dúvida de que especialidade seguir, uma especialidade que bateu muito forte foi justamente a da pediatria.

Como eu era meio durango kid, eu sempre fazia trabalhos extras faculdade para juntar uma grana.

Então, comecei a fazer trabalhos relacionados a crianças.

Participei de um projeto estilo doutores da alegria no Hospital Infantil.

E em uma das minhas férias, trabalhei em uma colônia de férias para crianças, para entender um pouco de pedagogia, e como era trabalhar com crianças saudáveis.

Até hoje eu adoro crianças, e me esbaldo de aprontar com a minha filha de 3 anos.

Nessa mesma época da pediatria, eu participei de um projeto social, do Hospital Infantil, e fui para Timbó Grande-SC, na época, a cidade com o menor IDH de Santa Catarina.

Eu fui para me vestir de palhaço para as crianças em um evento de saúde.

E de todas as vezes que me vesti de palhaço, essa foi a mais rica.

Pois, apesar de estar atrás de um personagem, o olhar carinhoso e de encantamento que aquelas crianças olharam para mim foi inesquecível.

Junto comigo foi um ônibus lotado de pessoas.

Mas uma em especial, uma residente de Pediatria. Ela foi fazer o atendimento das crianças.

Depois desse evento viramos amigos e começamos a conviver.

Porém, algum tempo depois desse evento, ela começou ficar deprimida.

Pois, assim como eu, ela era uma apaixonada por crianças.

Além disso, ela era uma pessoa muito sensível.

E, um dos estágios da residência dela em pediatria, era a ala de queimados. E, em seguida passou pela oncologia.

Ela simplesmente não suportou a dor de ver pequenos seres, antes totalmente saudáveis, terem uma deformidade que carregariam para o resto da vida, ou terem a vida abreviada de forma precoce.

Ela abandonou a residência, e teve que voltar para sua cidade natal para se recuperar.

Na época, fiquei um pouco chocado com essa história, e com medo que pudesse acontecer o mesmo comigo.

Já que eu tinha um perfil parecido com o dela.

O meu ponto com tudo isso, é que simplesmente gostar de um tipo de paciente, não significa que você deva fazer essa especialidade.

Talvez possa ser usado apenas como critério de exclusão. Se você odeia crianças, não faça pediatria.

Mas, o contrário, não é verdade.

Claro, pode contribuir, mas está longe de ser o único ou principal critério de escolha.

Por exemplo: se você gosta de crianças, seja mãe, pai, tio, tia, amigo, amiga.

Seja presente com elas.

Brinque com elas.

Se torne uma referência afetiva e positiva para elas.

Mas não necessariamente você precisa ser o médico delas.

Erro 2: Tipo de Conteúdo

Coloquei esse erro na mesma categoria do tipo de paciente.

Pois, além de ambos trabalharem com o conceito de escolha da especialidade pelo objeto de trabalho.

Ambos podem ser usados mais como critério de exclusão, ao invés de inclusão.

Se alguém é apaixonado por matemática e gosta de trabalhar com números, só pode ser um engenheiro ou um contador?

Agora, alguém eu odeia números pode ser engenheiro ou contador?

Ao fazer esses testes que eu sugeri acima. Você irá notar muitas perguntas relacionadas ao que você gosta ou não para decidir a especialidade.

Perceba novamente, escolher algo de tamanha importância, que definirá você enquanto profissional e que estilo de vida irá levar, não pode ser definida apenas por esse critério.

Categoria 2: Pessoa de Referência

Nessa categoria, trago dois tipos de pessoas que podem ter uma influência muito grande em nossas decisões.

Um professor que admiramos muito, ou um familiar (uma pessoa com grande valor sentimental também conta).

Tanto em um, quanto em outro, encontramos grandes perigos.

Perigos esses, que podem mascarar questões importantes em nossa decisão, e deixarmos nossa escolha se basear demais no lado da balança da emoção.

Erro 3: Professor

Eu trabalho como professor, formalmente, desde 2005. E, também formalmente, fui aluno até 2010.

Portanto, eu vivi com bastante intensidade os dois lados da moeda. O de escolher minhas referências e de ser referência.

E, talvez, um pouco parecido com o erro do tipo de conteúdo.

Escolher uma profissão, apenas por que admira ou tem um carinho especial por um professor, não pode ser definidor da sua especialidade.

A primeira coisa que precisa ser feito é separar a afetividade do modelo.

Quando escolhemos uma pessoa para usarmos de modelo. E, com os professores isso é bem comum de acontecer.

Passamos a desejar nos tornarmos um profissional parecido com essa referência. Tendemos a querer fazer coisas parecidas.

E, logicamente, pode existir uma tendência de escolher a mesma especialidade.

O problema disso, é que, esse seu modelo, escolheu a especialidade dele, baseado em critérios dele e em um momento do mercado de trabalho diferente do atual.

Esses critérios são suficientes para divergir totalmente do que você deveria escolher para a sua vida profissional.

No entanto, não significa que não devemos ter modelos.

Pelo contrário, modelos são imprescindíveis para nos ajudar a encurtar e escolher melhores caminhos.

Tenha professores modelos. Se possível, mais de um.

Mas use esses professores como inspiração de pessoa que você quer se tornar, e aprenda os valores dessa pessoa.

O que é totalmente diferente de escolher a mesma especialidade.

Erro 4: Familiar

Eu já fui professor em 5 universidades diferentes, e já tive mais de mil alunos que passaram comigo.

Então, vou contar uma história, e a identidade da pessoa vai estar protegida.

Sempre durante meus encontros com alunos do internato, que representa a grande maioria do estágio em que eu pegava os estudantes.

Sempre trabalhava um pouco essa questão da escolha da especialidade.

Pois, no internato, essa dúvida passa a ganhar uma força extra. Principalmente se a escolha não tiver sido feita ainda.

Em um desses bate-papos. Uma aluna contou uma história do motivo que ela havia escolhido cardiologia.

Tanto o pai como a mãe eram médicos. O pai, cardiologista, a mãe, não me recordo.

E, durante a infância dela e da irmã, ambos foram muito ausentes em casa, pois trabalhavam, como 75% dos médicos fazem, bem mais que 40h por semana cada um.

Depois de entrar para a faculdade. Ela, aos poucos, começou a ter a oportunidade de acompanhar o pai na rotina de trabalho. Com a “desculpa” de aprender medicina.

Ela percebeu, que durante toda a vida dela, nunca havia gerado tamanha conexão, e passado tanto tempo ao lado do seu pai. Que, por sinal, ainda continuava sendo o seu “herói”.

Acho que a essa altura você já deve ter entendido o meu ponto.

Será que cardiologia era mesmo a especialidade dela? Vou ainda mais longe.

Será que medicina era realmente a primeira escolha?

Pode ser que sim. Mas isso seria uma baita coincidência.

Mas, mesmo que você a vocação divina dela em ser cardiologista.

O vínculo afetivo com o pai poderia atrapalhar sua vida profissional?

Não quero fazer nenhum tipo de julgamento.

Só quero mostrar a você com essa história, que tenha muito cuidado em separar questões afetivas de escolhas profissionais.

Escolha profissional tem muito mais a ver com o seu eu interior, e seu valores, que o mundo exterior.

Os problemas ou virtudes familiares devem ser questões a serem resolvidas apenas no campo pessoal.

Mas o meu pai é especialista em oftalmologia, e tem uma carteira de pacientes gigante. Está para se aposentar.

Fazer a mesma especialidade que ele, e aproveitar esse fato não é a coisa mais óbvia a se fazer?

Concordo, que pode ser um fator bem pesado para essa decisão.

Porém, mesmo assim, se for incoerente com as “suas próprias regras do jogo”, a chance de em algum momento você entrar em crise é bastante alta.

Categoria 3: Erros Absolutos

As duas primeiras categorias. Apesar de como defendi, não devem ser utilizadas como único critério de escolha.

Elas podem fazer parte da decisão, desde que sejam secundárias.

Agora, os próximos 3 erros, não podem nem mesmo ser coadjuvantes no processo de decisão.

Vamos ver por quê?

Erro 5: Dinheiro

As duas únicas profissões que já são exercidas sem se esperar algo em troca são a escravidão (que infelizmente ainda existe em algumas partes do mundo) e o voluntariado (que felizmente ainda existe em algumas partes do mundo).

Todas as outras, espera-se ganhar algo em troca da sua atividade.

Na medicina, por mais nobre e altruísta que seja a profissão, não é diferente.

Dinheiro inclusive, acaba sendo o critério de escolha da medicina em um primeiro momento.

Como defendo que a especialidade será sua profissão, e não a medicina.

Escolher sua profissão só por dinheiro tem alguns problemas.

Se você escolhe uma especialidade por esse critério, vai acabar escolhendo algo que faça procedimentos.

Ou pode estar tão focado nisso, que a chance de se desumanizar nas relações com as pessoas ao seu redor é bastante grande.

Não estou dizendo que ser bem remunerado seja algo ruim.

Muito pelo contrário.

A grande questão é que como em qualquer profissão, mas especialmente na medicina. O dinheiro vem para quem gera mais valor para o outro. Quanto mais valor você gerar, mais dinheiro você vai ter.

Só que você se preocupar apenas com o valor, a chance de gerar mais valor e com mais qualidade é muito maior, que se colocar a questão do dinheiro junto.

O dinheiro, ou o enriquecimento, tem muito mais a ver com a qualidade do seu trabalho, e como você irá investir esse dinheiro, que com uma especialidade escolhida apenas com esse fim.

Então, gere valor, e faça seu trabalho de forma coerente com seus valores de vida.

Seja uma referência positiva para seus pacientes.

Seja ético.

Respeite todo e qualquer ser humano.

Faça seu trabalho com a maior dedicação e o máximo de amor possível.

E, tenha certeza, o dinheiro será uma consequência natural.

Erro 6 e 7: Tempo de especialização e residência mais fácil de entrar

Eu agrupei esses dois erros juntos, pois eles tem um fator em comum, o tempo.

Outro dia ouvi de um estudante. “Puxa, eu já tenho mais de 30 anos, eu não tenho muito mais tempo a perder. Tenho que passar em uma residência rápido”.

E, ele não foi o primeiro estudante com mais de 30 que fez esse mesmo relato.
Bom, aqui vou defender um ponto muito importante.

Quando você estava no segundo grau, já deve ter feito um segundo grau que preparava bem para o vestibular.

Afinal, você queria medicina, um dos cursos mais disputados em qualquer universidade.

Se você passou de primeira ótimo. Se, não, ainda teve que fazer um cursinho preparatório.

Depois, já na faculdade, você logo cedo começa a se preocupar em passar em uma residência.

E, hoje, os cursos preparatórios estão pegando os estudantes em fases cada vez mais precoces do curso.

E, se você não fizer um curso desses, coitado.

Vai se sentir para trás, certo? Afinal, todos meus colegas estão fazendo, menos eu.

Depois, você entra na residência, e já está preocupado em passar na segunda residência.

Isso, sem contar se você quiser ingressar em pós-graduações da academia como mestrado e doutorado.

Qual o problema nisso tudo?

A especialidade médica é importante? Sem dúvida!

O problema é que se você entrar nesse ritmo frenético, você pode se esquecer de viver.

De não aproveitar os momentos.

E, em termos profissionais.

De não virar médico antes de ser especialista. Nesse artigo, eu falo um pouco mais sobre isso.

Conclusão

Se esses são os 7 erros, quais são os acertos?

Não tenho a pretensão de em um artigo demonstrar quais são as formas de escolher uma especialidade.

Só que existe um ponto em comum nos 7 erros que gostaria de reforçar.

Independente de qual critério você esteja escolhendo.

O processo de escolha da especialidade deve ser de dentro para fora. E para isso, um processo de auto-conhecimento é de fundamental importância.

E, digo mais, um processo guiado por alguém que você confie é mais rápido e profundo.

Eu demorei 11 anos para encontrar esse alinhamento sozinho.

Tem pessoas que o encontra de forma natural, outras levam menos tempo, outras nunca encontram.

Pensando nisso, depois de eu mesmo participar de um processo de mentoria em empreendedorismo, e experimentar todos os seus benefícios.

Resolvi criar um processo de mentoria em grupo que estou preparando para ajudar você nessa escolha.

Esse processo de mentoria está baseado na premissa da escolha da profissão ideal, que deve ser a interseção entre suas paixões, suas habilidades e as necessidades das pessoas.

Para isso, a mentoria está dividida em 6 encontros, distribuídos nos seguintes temas:

– Auto-conhecimento (2 encontros)

– Mercado de trabalho médico atual e do futuro (1 encontro)

– Tipo de especialização (1 encontro)

– Métodos de organização de estudo e produtividade pessoal (1 encontro)

– Planejamento estratégico pessoal (1 encontro)

Caso você tenha interesse em saber mais sobre esse processo, clique aqui e entre para a nossa lista de espera.

Meu nome é Heitor Tognoli, sou médico, empreendedor, educador e mentor. Ajudo médicos e estudantes de medicina alavancarem suas carreiras por meio da mentalidade empreendedora com o direcionamento de escolhas mais centradas e coerentes.

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